Ártemis, mais tarde a Diana romana, é uma deusa esguia, virginal e seminua, acompanhada por seus cães e trazendo um escudo dourado nas mãos. Em muitas versões do mito grego, ela aparece pura e bela, mas sem vivacidade. Mas a realidade é que Ártemis era a deusa grega mais popular, e seu culto superava o de Deméter, de Atena e de Afrodite.

Um dos mais grandiosos templos do mundo grego era dedicado à Ártemis: o famoso templo de Diana, em Éfeso, na Asia Menor(hoje Turquia).
Ártemis era a própria Grande Mãe, tríplice em seu poder, como a lua nova,a lua cheia e a lua minguante: a Virgem, a Mãe e a Anciã. Mas o patriarcado grego veio a julgar mais satisfatório manter esses poderes separados. De modo que restringiram o papel da Mãe basicamente à Deméter, imputaram a proximidade da Anciã com morte à Perséfone e Hécate e sentimentalizaram a complexa psicologia natural de Ártemis na de uma escoteira adolescente brincando com arcos e flexas na floresta.
Porém, na cultura grega, apesar de ser guerreira e mais tarde colonizadora, a caça tornou-se mais um esporte do que um modo de vida: Ártemis e outras figuras caçadoras eram meros vestígios, memórias obscuras de um tempo em que homens e mulheres viviam mais próximos da natureza selvagem.
Porém, na cultura grega, apesar de ser guerreira e mais tarde colonizadora, a caça tornou-se mais um esporte do que um modo de vida: Ártemis e outras figuras caçadoras eram meros vestígios, memórias obscuras de um tempo em que homens e mulheres viviam mais próximos da natureza selvagem.
A sabedoria de Ártemis foi preservada em todas as questões ligadas ao parto e à proteção das crianças e animais de peito. Era a padroeira das parteiras. Mas a imagem de feroz caçadora foi conservada viva na religião popular.
ÁRTEMIS NO MUNDO MODERNO: UMA DEUSA DESLOCADA
Ártemis não se destaca muito no mundo moderno. Ela não se sente verdadeiramente à vontade na cidade, com seu ritmo acelerado e altamente tecnológico de vida e seus valores de ascensão social. Quando a encontramos no meio urbano, ela nos parece tímida, esquiva e reservada.

Para encontrar a mulher-Ártemis em seu próprio ambiente , é preciso sair das cidades e das estradas: em outras palavras, na NATUREZA. Poderemos encontrá-la cavalgando à frente de excursões pelas Montanhas Rochosas ou cultivando um sítio no norte da Califórnia. Talvez a encontremos em roupas de mergulho em uma equipe de biólogos marinhos, ou fotografando a fauna e flora do Alasca. Ela poderia ser uma pintora e escultora, vivendo como uma artista à beira do deserto do Novo México.
A mulher-Ártemis costuma apreciar um estilo rude de vida, em termos físicos, e está preparada para isso.Frequentemente parece estar apta a viver sem os homens. Na verdade, nem ela nem sua irmã Atena tiveram um amante conhecido na popular mitologia grega. Em termos psicológicos, isso é porque ambas representam tipos de mulheres que já nascem com fortes qualidades "masculinas" em sua constituição.
A CHAGA DE ÁRTEMIS
A chaga de Ártemis envolve a solidão de ser relegada, psicológica e às vezes literalmente, às margens da sociedade. Foi-lhe negada qualquer verdadeira identidade enquanto mulher.
Seu amor ardente pela liberdade e sua atitude mental, sua atitude independente, tornam difícil para ela aceitar o estilo como mãe, esposa ou profissional, que pertencem a Deméter, a Hera e a Atena.
Na realidade muitas vezes ela sentirá desprezo pelos valores e formas da sociedade convencional. E se sentirá magoada pelo fato do patriarcado nunca ter conseguido conter a ferocidade do seu espírito ou reconhecer seus dotes singulares de mulher.
Atualmente há uma nova comprensão sobre a chamada feitiçaria sob o nome de Wicca: são os neo-pagãos que tem buscado as origens reais ou a reconstrução do xamanismo. Esta religião-arte nada mais é que a antiga religião de Diana/Ártemis.
Aquelas mulheres que praticavam o culto à Deusa Diana vieram a ser identificadas com as assim chamadas bruxas e foram perseguidas e exterminadas.
As bruxas eram simplesmente curandeiras, geralmente mulheres já idosas, que sabiam utilizar as ervas para várias doenças e serviam como parteiras.
Entretanto, junto com a Wicca e outros movimentos semelhantes, está ocorrendo uma importante ressureição das "antigas tradições" xamânicas de cura nos quatro cantos do mundo.
EM BUSCA DA INDIVIDUALIDADE PERDIDA
Ártemis atira-lhe sua flecha de individualidade convidando-a a concentrar-se em si mesma? Você tem estado demasiadamente ocupada com outro? Há bastante tempo não tem um espaço só seu? Os limites de sua individualidade encontram-se difusos e indistintos? Sua personalidade é desprezada ou aniquilada pelos outros, pois eles sempre impõem suas necessidades antes das suas?
Pois agora é hora de ser você mesma, se impor como pessoa com identidade própria e não viver mais a vida dos outros. É hora de seu resgate individual, pois Ártemis lhe diz que a totalidade é alimentada quando você se honra, respeita e dedica tempo para você mesma. Ela também pergunta como você pode esperar conseguir o que quer se não tiver um "eu"a partir do qual atirar para conseguir seu destino?
É hora de clamar pela Mulher Selvagem. Para isso você pode utilizar qualquer meio de meditação que lhe seja usual, mesmo caminhar numa floresta ou à beira do mar... Você pode gritar, uivar,cantar, dançar, tocar tambor, o que achar melhor, mas faça bastante barulho, pois talvez a Mulher Selvagem esteja bastante adormecida dentro de você.
Esse processo deve se dar dentro de você, em seu interior, naturalmente, a menos que esteja sozinha. Quando você a enxergar, agradeça sua presença e peça-lhe algo, qualquer coisa.... qualquer coisa...
Retornar a Ártemis e aos valores da Terra é uma revolução profundamente espiritual: estamos testemunhando um redespertar para a energia do espirito da terra e para a comunhão espiritual .
O RETORNO DE ÁRTEMIS

Na verdade, a feminilidade raramente é representada em termos absolutos, mas sempre em relação com alguma outra realidade do mundo masculino. Em geral, quando uma mulher se retira para um território fechado aos homens, ela é vista como uma pária, uma feiticeira ou uma louca.

Quando retratada na literatura, no cinema ou na televisão, a virgindade feminina surge numa história em que um homem invade esse domínio e a tranforma numa "mulher de verdade" - como se a feminilidade jamais pudesse ser completa em si mesma.
Quanto à mulher que ousa permanecer em seu retiro, passam-nos a impressão que ela é feia demais, mal-humorada demais ou, de alguma forma, deficiente. Ela inspira mais desconfiança do que estima. Em contraste, admiramos figuras de ermitões, sábios, iluminados ou simplesmente homens solitários; eles não nos são apresentados como incompletos por manter em distância do sexo oposto ou por se preservarem castos.
Ártemis, que é lindíssima, tão linda quanto Afrodite para alguns, vem assim santificar a solidão, a vida natural e primitiva à qual todos podemos retornar quando julgarmos necessário nos relacionarmos apenas com nós mesmos.
Amazona e arqueira infalível, Ártemis garante a nossa resistência a uma domesticação que seria completa demais.
Além disso, uma figura ligada a fauna e a flora, ela é uma figura ligada ao debate ecológico contempâneo e às opções sociais dele decorrentes.
Na Europa, o Movimento Verde,que é símbolo de uma consciência puramente artemisiana, nascido do movimento anti-nuclear, despertou a consciência dos perigos da poluição química e nuclear em escala global.
Pela primeira vez todos começaram a falar do meio ambiente e da necessidade de uma ciência que preserve os mundos animal e vegetal, preservando assim o equilíbrio da natureza; ecologia tornou-se uma palavra na boca de todos.
CULTO À VIRGEM

De modo que, depois da cruzada Albigense ( 1209-1220 ), ela aproveitou a oportunidade para atribuir aos trovadores os mesmos erros que imputara aos hereges. Ao mesmo tempo, assimilou a adoração da mulher personalizada do culto dos trovadores à adoração de Nossa Senhora, a Virgem. Carl Jung teceu os seguintes comentários:
As bruxas e Salém
"Essa assimilação à simbologia geral cristã foi um golpe de morte ao culto à mulher, que era um broto que florescia no processo do aprimoramento da alma do homem. A sua alma, que se expressava na imagem da amante escolhida, perdeu a expressão individualizada quando foi traduzida em um símbolo geral."
Jung vê a substituição da mulher de verdade pelo culto à Maria como um grande retrocesso no desenvolvimento psicológico do homens, especialmente no que se refere a capacidade de relacionar-se, além de distrair a atenção das virtudes das mulheres reais.
Há, porém, uma consequencia ainda mais sinistra nessa repressão: o despertar do arquétipo da bruxa no inconsciente dos homens. Eis como Jung se refere a isso:
"A depreciação da mulher de verdade é (...) compensada por impulsos demoníacos ( do inconsciente, que ressurgem) projetados sobre o objeto. Num certo sentido, o homem ama menos a mulher como resultado dessa depreciação relativa - e assim ela lhe aparece como uma perseguidora,i.e.,uma bruxa.
Psycological Yypes.
TEMPLO DA DEUSA ÁRTEMIS(DIANA),ENTRE OS ROMANOS. NA TURQUIA,ÁSIA MENOR , UM DOS MAIORES DO MUNDO ANTIGO.