27 de abr. de 2011

MULHERES QUE AMAM DEMAIS...

Quando amar  significa sofrer, estamos amando demais. Quando grande parte de nossa conversa  com amigas íntimas é sobre ele, os problemas, os pensamentos, os sentimentos dele - e aproximadamente todas as nossas frases se iniciam com "ele...", estamos amando demais.

Quando desculpamos sua melancolia, o mau humor, indiferença ou desprezo como problemas devido à uma infância infeliz, e quando tentamos nos tornar sua terapeuta, estamos amando demais.

Quando lemos um livro de auto-ajuda e sublinhamos todas as passagens que pensamos que irão ajudá-lo, estamos amando demais.

Quando não gostamos de muitas de suas características, valores e comportamento básicos, mas toleramos pacientemente, achando que, se ao menos formos atraentes e amáveis o bastante, ele irá se modificar por nós, estamos amando demais.

Quando o relacionamento coloca em risco nosso bem-estar emocional, e talvez até nossa saúde e segurança física, estamos definitivamente amando demais.






Apesar de toda dor e insatisfação, amar demais é uma experiência tão comum para muitas mulheres, que quase acreditamos que é assim que os relacionamento íntimos devem ser. A maioria de nós amou demais ao menos uma  vez, e, para muitas, está sendo um tema repetido na vida. Algumas nos tornamos tão obcecadas por nosso parceiro e nosso relacionamento, que quase não somos capazes de agir.
 
Esse tipo de relacionamento não satisfaz nossas necessidades, mas temos a maior dificuldade em acabar com eles. O fato de querermos amar, de ansiarmos por amor ou de amar em si torna-se um vício. Se você já ficou obcecada por um homem, você deve ter suspeitado que a essência daquela obsessão não era amor, e sim medo: medo de estarmos sozinhas, medo de não termos valor nem merecermos amor, medo de sermos ignoradas, abandonadas ou destruídas.

O processo de cura é muito difícil e leva muito tempo, mas se você decidir iniciar o processo de recuperação, você passará de  mulher que ama com doloroso sofrimento, para mulher que se ama o suficiente para suprimir a dor.

Vou listar aqui as características das muheres que amam de demais:
 
1.Você vem de um lar desajustado em que suas necessidades emocionais não foram satisfeitas.
Necessidades emocionais não se refere somente à necessidade de amor e afeição. Mais crítico é o fato de suas percepções e sentimentos terem sido ignorados ou negados, em vez de aceitos e legitimados.

2. Como não recebeu um mínimo de atenção, você tenta suprir essa necessidade insatisfeita através de outra pessoa, tornando-se superatenciosa, principalmente com homens aparentemente carentes.

Quando garotinha, você provavelmente voltou sua atenção para sua boneca favorita, nessa situação. Ninando-a e confortando-a, você indiretamente recebeu a atenção de que necessitava. Quando adultas, tornam-se mulheres que fazem a mesma coisa: sentem-se atraídas por pessoas carentes, identificando-se com sua dor e procurando aliviá-la para aliviarmos nossa própria dor.

3. Como não pode transformar seus pais nas pessoas atenciosas, amáveis e afetuosas de que precisava, você reage fortemente ao tipo de homem familiar mas inacessível, o qual você tenta, mais uma vez, transformar através de seu amor.

Não temos atração por homens saudáveis que poderiam nos ajudar. Eles nos parecem enfadonhos. Temos atração por homens que nos reproduzem os conflitos tidos com nossos pais, quando tentávamos ser boas, valorosas, prestativas e espertas o bastante para termos amor, atenção e aprovação daqueles que não podiam nos dar o que precisávamos, devido à seus próprios problemas e preocupações.

4.Com medo  de ser abandonada, você faz qualquer coisa para impedir o fim do relacionamento.

5.Quase nada é problema, toma muito tempo ou custa demais, se for para "ajudar" o homem com quem está envolvida.

6. Habituada à falta de amor em relacionamentos pessoais, você está disposta a ter paciência, esperança, tentando agradar cada vez mais.

7. Você está disposta a arcar com mais de 50 por cento da responsabilidade, da culpa e das falhas em qualquer relacionamento.

8. Sua auto-estima está criticamente baixa e, no fundo, você não acredita que  mereça ser feliz. Ao contrário, acredita que deve conquistar o direito de desfrutar da vida.

9.Como experimentou pouca segurança na infância, você tem uma necessidade desesperadora de controlar seus homens e seus relacionamentos. Você mascara seus esforços para  controlar pessoas e situações, mostrando-se "prestativa".
 
10. Você está muito mais em contato com o sonho de como o relacionamento poderia ser que com a realidade da situação.


11.Você é uma pessoa dependente de homens e de sofrimento espiritual.

12.Você tende psicologicamente e, com frequência, bioquimicamente, a se tornar dependente de álcool e/ou certos tipos de alimento, principalmente doces.

13.Ao ser atraída por pessoas que precisam  de solução, ou ao se envolver em situações caóticas, incertas e dolorosas emocionalmente, você evita concentrar a responsabilidade em si própria.

14. Você tende a ter problemas de depressão, e tenta prevení-los através da agitação criada por um relacionamento instável.

15. Você não tem atração por homens gentis, seguros e que estão interessados em você.  Acha que esses homens "agradáveis"  são enfadonhos.

Achamos que o homem instável é excitante, o não-confiável é desafiante, o imprevísível é romântico, o imaturo é charmoso e o intelectual  é misterioso. O homem inadequado precisa de nosso encorajamento, e o frio de nosso calor. Mas nãó podemos "consertar" um homem que é agradável como é, e, se ele é gentil e importa-se conosco, também não podemos sofrer. Infelizmente, se não pudermos amar demais um homem, normalmente não podemos amá-lo de forma alguma.

O CAMINHO PARA A RECUPERAÇÃO


Talvez você tenha percebido que amar demais é uma doença: qual é então o tratamento apropriado? Como deixar para trás aquela série de conflitos com ele, e  aprender a criar uma existência  rica e compensadora para si? E como se diferenciar das mulheres  que não se recuperam, que nunca são capazes de se livrar do atoleiro e da desgraça de um relacionamento insatisfatório?

As mulheres que se recuperam tomam certas atitudes para conseguirem isto. Segue uma listagem de comportamentos a serem adotados. Eles são simples, mas não são fáceis.

1.Procure ajuda.
 
2.Faça da própria recuperação a prioridade principal de sua vida.
 
Significa que você está disposta a seguir aquelas etapas necessárias para se ajudar, não importa o que lhe for exigido. Exige um compromisso total com você mesma. Considere-se importante e merecedora da própria atenção, do próprio cuidado.
 
3.Encontre um grupo de apoio formado por semelhantes que a compreendam.

4.Desenvolva a espiritualidade através da prática diária.
 
Não importa qual seja sua orientação religiosa, desenvolver a espiritualidade significa abandonar o auto-arbítrio,  a determinação de fazer as coisas acontecerem da forma que acha que deveriam acontecer. Em vez disso, deve aceitar o fato de que pode não saber o que é melhor para você em determinada ocasião. Auto-arbítrio significa acreditar que você sozinha possui todas as respostas. Abandonar o auto-arbítrio significa tornar-se disposta a permanecer onde está, aberta, esperando por orientação.

5.Pare de dirigi-lo e de controlá-lo.
 
Significa parar de tomar conta, de dar conselhos. O outro adulto a quem    você está auxiliando  e aconselhando possui tanta capacidade quanto você para conseguir um emprego, um terapeuta,etc. Você pode continuar a se importar com ele, mas não cuidar dele. Você permite que ele encontre o próprio caminho, da mesma forma que você está trabalhando para encontrar o seu. Se quer de fato ser prestativa, deixe de lado o problema dele e se ajude.

6.Aprenda a não se envolver em jogos.
 
7.Enfrente corajosamente os próprios  problemas e os próprios defeitos.
 
8.Cultive  em você quaisquer necessidades a serem desenvolvidas.
 
Isso signigica não esperar que ele se modifique para você continuar vivendo. Também significa não esperar apoio dele - financeiro, emocional,etc - para fazer qualquer coisa que queira. Em vez de tornar seus planos dependentes da cooperação dele, planeje como se não tivesse ninguém em quem se apoiar, a não ser você.

9.Torne-se "egoísta".
 
Significa tornar-se honesta consigo mesma,: requer que você reconheça que seu valor é imenso, que seus talentos são dignos de expressão, que sua realização é tão importante quanto a de qualquer pessoa, e que seu bom caráter é o maior presente que você pode oferecer para o mundo como um todo, especialmente para os seus íntimos.
 
10.Partilhe com outras pessoas o que você experimentou e aprendeu.

Quando você encontrar uma pessoa de passado parecido com o seu, você deve falar de sua própria recuperação sem necessidade de coagir aquela pessoa a fazer o mesmo que você  fez. Aqui não há mais espaço para dirigir ou controlar.


A recuperação modificará sua vida de muitas formas, e algumas vezes isso poderá parecer desagradável. Não deixe que isso a bloqueie. O medo da mudança, de renunciar ao que sempre conhecemos, fizemos e fomos é o que nos impede de nos transformarmos em um ser maior, mais saudável e mais verdadeiramente amável.

20 de abr. de 2011

EVA PERÓN - PRIMEIRA-DAMA DA ARGENTINA




Sem recursos e com pouco instrução, Eva Perón nasceu em  1919 em Los Toldos, Argentina. Sua infância foi pobre, mas digna. Sua mãe, Juana Ibarguera, era uma costureira obsessiva com a limpeza, extremamente organizada e amante do estancieiro Juan Duarte. Depois da morte de Juan, em um acidente de carro, Juana mudou-se com os filhos, todos dele , para Junin, fugindo da humilhação da condição de amante.   Juan Duarte registrou todos os filhos que teve com a costureira como seus, menos Evita. Pouco depois mudaram-se todos para Buenos Aires, onde Eva, como todas as adolescentes sonhava em ser uma estrela de teatro, de cinema.

Eva Perón passou por muitas dificuldades até chegar a ser uma atriz de certo renome no rádio, onde participava de um programa de muita audiência e fazia algumas peças de teatro. Durante uma campanha de socorro às vítimas do terremoto de San Juan, em 1944, ela conheceu  Juan Domingo Perón, Ministro do Trabalho. Tornaram-se amantes, e depois de tingir os cabelos de louro para um filme, o que conservaria para o resto da vida, Eva falsificou seus documentos, transformando-se em Maria Eva Duarte, nascida em Junin, em 1923, para poder casar-se legalmente com o coronel Perón em uma cerimônia íntima e com poucos amigos.

Perón, um solitário que nunca deixava saber exatamente o que sentia, tinha uma personalidade peculiar e ambígua. Sorria sempre, conquistava pelo sorriso , mas o que  lhe  marcava a complexa e ao mesmo tempo  tosca  personalidade era o olhar, olhar típico de caçador, com extrema capacidade em dissimular. Só não sabia que Eva era também uma caçadora e, com o casamento, formou-se ali uma sociedade de idéias e interesses que os levou aos limites do poder, da glória, da riqueza e por fim, da ruína, da desmoralização mas jamais do esquecimento  e da indiferença.
 

Eles precisavam um do outro, com suas virtudes e defeitos.  Através do nome e imagem de Perón, Eva conseguiu a sua ambição de obter uma parte do poder total. Eva Perón foi, na verdade, a grande responsável por medidas reformistas em toda à Argentina. À ela se deve o fato dos trabalhadores passarem a ter segurança social, cuidados médicos estatais, pensões e o voto das mulheres. Deve-se também a ela  o ter expulso as multinacionais do país e a  nacionalização das mesmas.
 
 
Depois de trabalhar duramente nas campanha presidencial que levou Perón ao poder em 1946, Eva foi  à Europa de onde retornou três meses depois com um guarda-roupa repleto de roupas de grife. Uma matéria publicada na revista Life, em 1950, mostra seus inúmeros armários com jóias, peles, sapatos e vestidos de grandes estilistas, o que causou espanto na comunidade internacional.

Essa viagem "promoção" de Eva da Nova Argentina Peronista, sempre teve algo de misterioso, de pouco claro, já que boatos de assuntos do ouro nazista  ou obras de arte desaparecidas nunca ficaram esclarecidas, e ainda hoje não o são.

Famosa por sua elegância e por seu carisma, Evita conquistou para o peronismo a população pobre, a maioria de migrantes rural, a quem ela chamava de "descamisados".
 
 
"Ligando à figura mundialmente conhecida de Evita, uma glória "hollywoodiana" de proporções desmedidas, com a moça simples, a criança ultrajada, podemos chegar a conclusão que Eva foi provavelmente uma personalidade dividida. De um lado, repleto de altruísmo e generosidade, há a moça simples,"revoltada com a injustiça", de outro, no entanto, a mulher seduzida pelo poder.

Como primeira-dama, Evita desenvolveu um trabalho intenso no lado político, criando o Partido Peronista Feminino , dando direito de votos as mulheres, em 1947. Ao mesmo tempo, do lado social , desenvolveu a Fundação Eva Perón, onde trabalhou cerca de 18 horas por dia, distribuindo alimentos, roupas, construindo hospitais, escolas, lares para mães solteiras e asilos para idosos. Apesar de ter ganhado a simpatia das classes mais baixas, Eva era atacada pela oposição, que transferiu para ela a antipatia e rejeição que sentia por Perón.

No âmago de suas preocupações sociais mais profundas,  encontra-se uma infância pobre e uma mãe humilhada pelas circunstâncias. Promovida pelo peronismo e sendo principal fator de legitimação deste, a figura de Eva irá se confundir com a de uma grande estadista. Eva torna-se mais importante que a própria imagem da Argentina real, uma vez que esta imagem é representada revestida de um aparato  e de uma glória que não correspondem à realidade social da época". 

Em pouco tempo, a estrela de Evita parecia ameaçar o próprio marido.  Sua fama provocou uma reviravolta política quando, durante um comício marcado pela presença do casal, a multidão gritava a favor de uma chapa eleitoral composta por Juan Perón, presidente, e Evita, mãe dos pobres, como vice.

Mas, a essa altura Evita já sofria de uma câncer no útero. Além disso, o casal entrou em crise pois Perón olhava com grande desconfiança e receio a ascenção política de sua própria mulher. A tensão instalada no próprio relacionamento e a doença impediram que Evita Perón aceitasse o convite feito pela população. Depois disso Evita se recolheu aos aposentos presidenciais para viver os últimos dias de sua terrível agonia.

O mais impressionante na história da vida de Eva foi o caminho meteórico que ela percorreu na vida pública. Entre a total obscuridade ao mais absoluto resplendor pessoal e político da vida e em seguida a morte, tudo ocorreu em apenas 7 anos. Nesse curto período ela saiu do anonimato para se tornar uma das mulheres mais importantes e poderosas do mundo. Na breve existência (morreu aos 33 anos) há muitos mistérios, muitos fatos obscuros mas há principalmente uma personalidade tragicamente marcante.
 

"Figura chave de um regime paternalista e demagogo, Evita resiste, no entanto, como uma imagem ao mesmo tempo alheia e superior ao mesmo. Mais do que uma estadista, mais do que um pivô ou um esteio sobre o qual o governo de Perón se apoia, Evita ganha voz própria porque  ela encarnou em si uma série de ambições e  pretensões sociais. Sua transcendência está consubstanciada na sua fantástica ascenção sócio-política. Uma bela mulher, que venceu na vida através dos mecanismos próprios de uma mulher, só poderia espelhar um  sistema de poder centrado na sedução. E  só através da sedução coletiva das massas , e do fascínio,  da ascese que esta sedução acarreta, que pode firmar-se um regime deste tipo".


Em determinado momento, fruto da criação de Eva Duarte, surgiu o personagem "Evita". A própria Eva tinha consciência da existência autônoma de sua personagem, que ela transformou em uma segunda personalidade: para os "descamisados" Evita nunca foi uma líder ideológica. Para eles ela era mais. Era mais que a mulher do grande Perón,  era a líder espiritual da nação argentina, quase uma santa.
 

Para muitos, Eva Perón  foi, na verdade, a única voz retumbante no coração do povo pobre  e trabalhador da argentina; foi, para os miseráveis, a única referência confiável e capaz de unir, se quisesse, com um gesto apenas, todas as vontades numa só, todas as vozes em uma só, a voz do povo explorado e espoliado pela classe rica e insensível às suas necessidades mais elementares.



Eva Maria Perón atingiu um poder absoluto na Argentina entre 1948 e 1951. Era ela quem comandava as operações de todo o staff  Perón. Jamais uma mulher em qualquer parte do mundo conseguira tanto poder em tantas áreas distintas e sensíveis.

Evita morreu  em 1952, arruinando todas as possibilidade de preservação do peronismo.  A sua morte se seguiu uma das maiores comoções públicas  já registradas na Argentina. Em um ataúde com tampa de cristal seu corpo foi trasladado para a sede da CGT (principal organização sindical  do país), onde intermináveis multidões de "descamisados", a gente simples do povo, desfilaram em massa compacta, dias e noites seguidos, para o último adeus.
Em sua homenagem já foram compostas duas óperas, um filme e uma música: Perón não é mito, é apenas uma figura histórica. Ninguém se interessa por Péron profundamente hoje em dia, a não ser que seja um historiador. Mas todos conhecem Evita, e seu jeito de ser, seu look. Perón pode ser discutido hoje em dia , mas Evita é intocável. É um mito.

19 de jan. de 2011

ESTATUTO DA MULHER CASADA

Qual não foi minha surpresa quando, estudante de Direito, na década de 70, deparei-me com o Estatuto da Mulher Casada, de 1962. Quer dizer, até poucos anos atrás eu seria impedida de fazer várias coisas por minha própria vontade, à não ser que houvesse consentimento do meu marido(sim, eu já era casada).

O Codigo Civil de 1916 definia a mulher casada como incapaz de realizar certos atos, dependento da aprovação de seu marido, inclusive a de ter profissão e de receber herança.

Conhecido como Estatuto da Mulher Casada, a lei contribuiu para a emancipação feminina em diversas áreas: o marido deixou de ser o chefe absoluto da sociedade conjugal. O artigo 6º que atestava a incapacidade feminina para certos atos foi mudado. Além de tornar-se economicamente ativa sem a autorização do marido, a mulher passa a ter direito sobre seus filhos,compartilhando do pátrio poder  e podendo requisitar a guarda em caso de separação.
 
Fazendo um parêntese, um caso pessoal, ocorrido com minha avó paterna. Ela tinha quatro filhos do primeiro casamento, mas ao casar-se perdeu o pátrio poder para o padrasto. Era ele, o padrasto, que decidia tudo não só em relação aos filhos, como à herança que o falecido marido havia deixado. Eu era garota quando ouvi essa história, e não compreendia nada de lei, e menos ainda de direitos femininos, mas essa situação me deixava estupefata.
Com essa mudança do Estatuto da Mulher Casada  a esposa deixou de ser tutelada pelo marido e pode decidir sua própria vida(estou falando aqui no sentido legal, porque no sentido das tradições e o social era completamente diferente).

Até a pouco tempo as mulheres não tinham direito a quase nada. O direito do voto pela mulher surgiu em 1932 e em 1970 começou o movimento feminista. Essa luta das mulheres de sair da escravidão teve como objetivo equiparar homens e mulheres, embora sempre haja algumas extrapolações.
 
Podemos fazer coisas incríveis, quem sabe diferentes, quem sabe melhor ou pior,vai de cada uma. Esta luta deve ser considerada como uma luta de libertação do "estigma de escrava". Atualmente , os cônjujes têm os mesmos direitos e deveres em relação a casa, filhos e bens. A mulher não pode praticar apenas as ações que o seu marido também precisa do consentimento para realizar, p. ex., contrair obrigação que implicam alienação dos bens do casal.

O estatuto da Mulher Casada foi revogado, o novo Código Civil está em vigor desde 2003 e na parte que rege o direito de família foram respeitados  as regras da constituição de 1988 que equipararam homens e mulheres. Somos cidadãs como qualquer outro. Pelo menos jurídicamente!!!

27 de dez. de 2010

A MISOGENIA E A MULHER


Misogenia é o ódio à mulher. São homens que odeiam e repelem o sexo feminino. É simples aversão a tudo que é feminino.
 
"Tudo que os homens escreveram sobre as mulheres deve ser suspeito, pois eles são, a um só tempo, juiz e parte".                                Toulain de la Barre.

Devemos lembrar que os livros sagrados eram o Direito para os povos antigos, que neles acreditavam, isto é, eram a sua lei. Esses povos pensavam e agiam segundo seus ditames.


Em algumas sociedades antigas a mulher era venerada. Mas com o advento da sociedade patriarcal, a mulher passou a ser acusada pelo sexo oposto de ter introduzido o pecado, a desgraça e a morte na terra. A Eva judaica seria responsável pelo pecado original, pelo desaparecimento do paraíso terrestre. 

Desde os primórdios do cristianismo a mulher já era considerada sinônimo de perdição pelos líderes da Igreja. A sexualidade era pecado, a virgindade era exaltada.Já dizia Santo Agostinho "o  corpo humano possui uma alma humana assexuada e um corpo assexuado".
 
A Idade Média Cristã aumentou a misogenia. A Virgem Maria foi colocada num pedestal, mas teve sua sexualidade desvalorizada.
 
As ordens mendicantes, no sec. XIII, propagaram uma onda de misogenia , que no sec. XVI, tem seu impacto aumentado pela reforma protestante. Os  clérigos, presos à castidade tinham receio do sexo feminino, escrevendo sobre esse perigos e esses escritos oprimiam e hostizavam a mulher.
 
Havia uma guerra santa contra a aliada do diabo. Muitos discursos foram proferidos para confirmar  a inferioridade da muher, com base na Bíblia.

 
O discurso médico fala da inferioridade física e biológica das mulheres. O discurso jurídico procurava  apoio na medicina e na Igreja. Através disso criavam leis que aumentavam as misogenia, criando várias interdições à mulher, que não possuia poder jurídico, não podia exercer a medicina, a magistratura, etc, e o homem era o cabeça do casal.
 


Vamos colocar alguns exemplos da sistematização de textos sagrados e de  Direito ao longo dos tempos:
  1. Direito Familiar da Suméria(2465-2347 a.C.):   "Se a mulher odeia seu marido e diz:''Tu não és meu marido' será atirada ao rio".
  2. Código de Hamurabi(1730-1636 a.C.), rei da Babilônia. Seu codigo era considerado de inspiração divina.  "o marido tem certos direitos sobre a mulher...Pode submetê-la à servidão na casa de seu credor...Se uma mulher desatende o seu marido, ele pode escolher entre repudiá-la perante o tribunal, uma indenização ou declara ao juiz que não a quer repudiar, ficando então como escrava".
  3. Bíblia (720 a.C.) "Quando um homem toma uma mulher e se casa com ela, e então não achar graça em seus olhos, por nela encontrar coisa indecente, far-lhe-ás uma carta de repúdio, e lhe dará na sua mão, e a despedirá de sua casa".
  4. Tertuliano, um dos pais da Igreja: "Sois a porta do inferno...Sois aquela que persuadiu aquele que o diabo não ousava atacar...Sabereis que sois cada uma de vós uma Eva? A sentença de Deus sobre vosso sexo subsiste nesta época: a culpa, necessariamente, subsiste também".
  5. Confúcio(551-474 a.C.)  "O marido tem o direito de matar a mulher. Quando uma mulher fica viúva deve cometer suicídio como prova de castidade"
  6. Paulo, o apóstolo: "Durante as assembléias as mulheres devem permanecer em silêncio, com toda a  submissão. Não permito que a mulher ensine , ou domine seu marido".
  7. Martinho Lutero(1483-1546): "Que há por aí,  homem ou Deus, capaz de sustentar que a mulher pertence ao gênero humano?"

  8. Cod. Civil Napoleão: "A natureza fez das mulheres nossas escravas; o marido tem o direito de dizer à sua mulher: Não sairás de casa! Não irás ao teatro! Não te encontrarás com esta ou aquela pessoa! Quer dizer teu corpo  e tua alma  me pertencem".

Esses são apenas alguns exemplos, mas essa forma de sexismo persiste até os dias atuais, e mais comum do que parece à primeira vista, porque as mulheres estão tão acostumadas  a que as desprezem ou inviabilizem que não se dão conta das muitas formas diferentes como negam a sua dignidade e pertinência ao gênero humano ou, pior ainda, como negam a sua própria existência.

Ainda hoje basta abrir qualquer jornal  ou mesmo escutar variados tipos de "música" para ver como a mulher é desprezada. E o pior é que as mulheres ainda saem por aí cantando as ditas "músicas", como se fosse  uma exaltação ao sexo feminino...






8 de set. de 2010

A PAPISA JOANA


A muito tempo a Igreja tenta negar a existência da papisa Joana, a mulher que ocupou o trono do papa, mas  as evidências não deixam dúvidas que existiu mesmo uma mulher que ocupou o trono papal.


Joana nasceu em 914,  séc. IX, no peródo conhecido como Idade das Trevas, uma época brutal, de ignorância, miséria e superstição sem precedentes.


Os países europeus como os conhecemos  não existiam, nem tão pouco seus idiomas, mas somente dialetos locais, sendo a língua culta o latim.


A vida nesses tempos conturbados, depois da morte de Carlos Magno, era um caos só, com a economia falida, guerras civis e invasões dos vickings e sarracenos.


Principalmente para as mulheres, que não tinham quaisquer direitos legais ou de propriedades. A lei permitia que os maridos batessem nelas e as estrupassem e uma mulher letrada era considerada não só uma aberração  como um perigo.


Procurando fugir deste destino, Joana, que era muito inteligente  e havia aprendido a ler escondido com seu irmão mais velho, logo percebeu que naquele mundo não havia lugar para ela, pois era uma sociedade só de homens, todos os direitos estavam com eles e eram para eles.


Assim sendo, resolveu disfarçar-se corajosamente de rapaz quando adolescente, e ingressou num convento beneditino, sob o nome de "irmão" João Ânglico. Foi assim que se  destacou como erudito e médico, chegando a tornar-se médica do próprio papa.


Morreu ao dar a luz quando presidia uma procissão solene pelas ruas de Roma. À partir daí os relatos divergem: segundo alguns teria morrido apedrejada pela multidão indignada; para outros foi encerrada, juntamente com seu filho no castelo papal, até o fim de seus dias. E para outros tanto ela como a criança morreram no parto.


Ao longo dos séculos muitos negam sua existência, contudo é considerável o número de documentos que atestam sua passagem pelo trono papal.


Mas mais importante é que numerosas mulheres que queriam ter uma vida digna, tiveram de se disfarçar de homem, por não ter direito algum.


No séc. III, Eugênia, filha do prefeito de Alexandria, ingressou num monastério disfarçada de  homem, e chegou a alcançar a posição de abade. O disfarce só acabou sendo descoberto porque ela foi obrigada a revelar o seu sexo como último recurso  para refutar a acusação de ter deflorado uma virgem.


No séc. XII, santa  Hildegunda, sob o nome de José, tornou-se monge na Abadia de Schonau e viveu entre os irmãos sem ser descoberta até sua morte, muitos anos depois.


Exemplos mais modernos de mulheres que se fizeram passar por homens:
1-Mary Reade, que viveu como pirata no ínício do séc.  XVIII;
 
2-Hannah Snell, soldado e marinheiro na marinha britânica;
 
3-uma  mulher do séc. XIX de nome desconhecido que, sob o  pseudômino de James Barry, ascendeu ao cargo de inspetor-geral dos hospitais britânicos;

4-Loreta  Janeta Velasquez, que lutou ao lado dos confederados na batalha de Bull Run, sob o nome de Harry Buford;

5-Recentermente, Terezinha Gomes de Lisboa, fez-se passar por homem durante dezoito anos; soldado altamente condecorado, ela alcançou a patente de general no exército português e foi descoberta apenas em 1994, ao ser presa por acusações de fraude financeira e forçada pela polícia a se submeter a um exame médico.

27 de ago. de 2010

FLORENCE NITHINGALE

Florence Nithtingale nasceu (1820-1910) em uma família rica e bem posicionada, em Florença, então Grão Ducado de Toscana. Recebeu o nome da cidade em que nasceu. Foi pioneira na guerra da Criméia e ficou conhecida pelo apelido de "A dama da Lâmpada", por servir-se desse instrumento para auxiliá-la a olhar os feridos à noite.

Moça brilhante e impetuosa, revoltou-se  contra o papel convencional para as mulheres de seu estatuto, que deveria torna-se uma mulher submissa, e decidiu-se dedicar-se à caridade, sob a forma de enfermagem.

Naquele tempo o papel de enfermeira era exercido por mulheres ajudantes em hospitais ou que seguiam o exército, muitas como cozinheiras ou prostitutas.

Florence Nithingale ficou particularmente preocupada com as condições dos pobres e indigentes. Anunciou sua decisão  à familia em 1845, provocando raiva e rompimento, principalmente por parte de sua mãe.
   

A morte de um mendigo em uma enfermaria em Londres acabou-se transformando em um escândalo público, e levada por esse acontecimento Florence e um grupo de médicos obtiveram uma grande reforma no Estatuto dos Pobres, estendendo o papel do Estado para além do fornecimento do tratamento médico.

A contribuição mais famosa foi durante as guerra da Criméia, quando chegaram relatos sobre as condições horríveis dos feridos. Em 1854, Florence e uma equipe de 38 enfermeiras voluntárias treinadas por ela, inclusive sua tia, partem para os campos localizados na Turquia Otomona.

Florence Nithingale voltou para a Inglatera como uma heroína em agosto de 1857, e,  de acordo com a BBC, era provavelmente a pessoa mais famosa da Era  Vitoriana  depois de Rainha Vitoria.

Contudo, teve febre tifóide e, impossibilitada de fazer trabalhos físicos, dedica-se a formação   de enfermeiras na Inglaterra, onde já era conhecida pelo  seu valor profissional e técnico. Fundou  a Escola de Enfermagem no Hospital Saint -Thomas, com  curso de um ano, ministrado por médicos em aulas teóricas  e práticas.

Em 1883 a R.V. concedeu-lhe a Cruz Vermelha Real e em 1907 ela se tornou  as primeira muher a receber a Ordem do Mérito.

Faleceu em 3 de agosto de 1910, deixando um legado de persistênca, capacidade, compaixão e dedicação ao próximo, estabelecendo as diretrizes e caminhos para a enfermagem moderna.




20 de ago. de 2010

MARIE CURIE


Nascida na Polônia, em Varsóvia (1862-1934), foi a primeira mulher do mundo a ganhar um prêmio Nobel pelo seu trabalho de investigação científica.

Seu pai era Wladslaw Sklodowdi, professor de física e matemática, e Marie  mostrou-se excelente aluna desde cedo, destacando-se pela sua excelente memória.

Aos 16 anos ganha uma medalha de ouro pelos seus estudos  na escola secundária e começa a trabalhar como professora, pois seu pai não tinha recursos financeiros. 
Aos 18 anos arranja um emprego como governanta, com o fim de financiar os estudos de medicina de sua irmã Bronia em Paris, França. A idéia era que mais tarde Bronia faria o mesmo por ela.

Em  1891, Marie Sklotowska foi para Paris estudar na Sorbonne, onde conheceu muitos fisicos que fariam parte de sua vida, como Jean Perrin e Charles Maurain. Foi uma fase de muita pobreza, trabalhando à noite nos seus estudos. Ainda enfrentava preconceitos pelo fato de ser mulher e estrangeira. Em 1893 diplomou-se em ciências físicas com as melhores notas de sua turma no laboratorio de pesquisas de Lippmann.

Quando em 1894, graduando-se em matemática com a segunda melhor nota, conheceu Pierre Currie, numa visita a casa de um amigo e cientista polaco. Marie tinha então 27 anos e Pierre 35. Casaram-se em 25 de julho, marcando o começo de uma verdadeira sociedade que logo alcançou signicado mundial. Marie e Pierre uniram seus esforços para estudar as substâncias radioativas.
 
 
Nas suas pesquisas descobriram que  o urânio continha largas doses de radiotividade. Em 1898, depois de um longo trabalho com o marido, isola dois novos elementos radiotivos: o Polônio (em homenagem ao seu país natal) e o Rádio.

É indicada conferencista  de física da Escola Normal de Sèvres, França, em 1900. Finalmente defende sua tese e obtém o título de doutora pela Universidade de Sorbonne, tornando-se a primeira mulher a receber o título. No final do mesmo ano Marie, Pierre Currie e Becquerel, recebem a medalha Davy da Real Sociedade inglesa e o prêmio Nobel  de Física pela descoberta da radioatividade. Ela tinha 35 anos e conseguiu um  fato inédito para uma mulher.


Em 1906, Pierre morre e ela assume seu lugar como professora na Sorbonne e torna-se membro da Academia Francesa de Medicina, duas posicões inéditas para uma mulher. Apesar da morte do marido, Marie continuou publicando seus trabalhos e em 1911 ganha o segundo Prêmio Nobel em química, por ter conseguido isolar o elemento Rádio e explicado suas características químicas.


Em 1914 ajudou a Fundação do Instituto do Rádio, em Paris, e foi a primeira diretora do instituto. Começa a trabalhar no desenvolvimento do raio X com sua filha Irene, que , com a eclosão da primeira guerra mundial, foi de enorme ajuda na detecção de balas e por facilitar as cirurgias.

 
Morreu em 4 de julho de 1934 de leucemia, causada provavelmente devido à longa exposição aos elementos radioativos.
 
 
Em 1995 os seus restos mortais foram trasladados para o Panteão de Paris, tornando-se a primeira mulher a receber a honra de ser sepultada nesse local.